Mais alma e foco, menos parafernália!

Ano passado a jovem mexicana Lorena Ramirez, da comunidade indígena dos Tarahumara, ou Rarámuri na língua nativa, que vivem na Serra Chihuahua, venceu uma ultramaratona no México correndo de sandálias de dedo.

paisagem lorena

Sim, sem meias de compressão, sem tênis de amortecimento, sem gel energético, sem relógio, sem camisa ultraleve. Correndo com seus trajes tradicionais, uma saia, uma echarpe no pescoço, e simples sandálias feitas de pneu reciclado.

lorena correndo

Rarámuri significa povo dos pés ligeiros, são conhecidos por correr quilômetros por suas serras. A jovem em sua rotina cuida de vacas e cabras, caminhando de 10 a 15 km por dia, e por muitas vezes seu povo tem a tradição de correr para vencer o relevo e as longas distâncias de suas rotinas. E venceu.

lorena podio

Mas por quais motivos Lorena foi capaz de vencer, aliado a seu talento? Na minha humilde opinião por dois motivos. Primeiro pela alma. Pelo sentimento forte de estar representando seu povo, por seu propósito de correr livre pela natureza. Levando seus trajes, sua cultura, correu com a alma leve de seu povo. Leveza. Alma.
Segundo, pelo foco de se concentrar na essência de seu propósito ali, a corrida. Não haviam distrações, preocupações laterais, desvios de atenção, estava 100% focada em seu objetivo da corrida. Foco. Foco. Foco.

sandalias lorena

Tenho visto, no ambiente empresarial, principalmente entre os jovens empreendedores, uma supervalorização da parafernália que envolve o mundo das start ups, dos eventos, das ferramentas, do habitat, dos periféricos. De quantos papos, palcos e dicas e ferramentas imprescindíveis para se obter sucesso como empreendedor.
Muitas das vezes, a agenda do empreendedor está repleta de mil coisas periféricas que seriam ajudas ou meios, e erroneamente acabam se tornando fim. E fica de lado, a alma, a paixão empreendedora de acreditar, de viver um propósito transformador, de mesmo sem saber o como, de convencer outras pessoas a construir esse sonho exatamente por ter essa crença tão forte que traz segurança e motivação aqueles que o rodeiam. Mas essa crença só funciona com foco, foco em baixar a cabeça e como um trator não ouvir as dezenas de nãos e negações que vai ouvir e se concentrar em botar pra fazer, realizar, fazer acontecer, como brinco sempre, mais TBC – Tirar a Bunda da Cadeira – e REALIZAR.
Lógico que existem ferramentas, eventos, periféricos e muitas coisas que podem ajudar e ajudam, mas não podem ser o principal. Não estou sendo radical e dizendo que nada importa, longe disso, muita coisa ajuda sim, na medida certa.

Apenas aprendendo que, como a Lorena aliou seu talento com alma, propósito e um enorme foco em realizar sua corrida sem distrações, pode nos servir de exemplo para que consigamos também, em nossos projetos, aliar nossas paixões transformadoras com um enorme foco em realizar, fazer acontecer de fato!

Lógico que o talento fez diferença, e muita. Mas, o que fica de lição vendo a Lorena, é que um talento focado e com propósito muitas vezes vale muito mais que alguém com mil ferramentas, modelos, habitats, e por aí vai.

Para ilustrar, Jorge Drexler, famoso cantor uruguaio, fez um vídeo chamdo “Movimiento”, em homenagem a Lorena e a seu feito.

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